segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

''Resgate''


Precisamos resgatar os grandes ideais. Redescobrir a mística revolucionária que sempre embalou nossos sonhos.

      Temos que ter um discurso coerente com nossa prática social. O que faz qualquer processo avançar é quando os lideres dão bom exemplo. Quando isso ocorre a militância atua dando tudo de si, inspirada nos valores vivenciados por suas direções políticas.

        A construção de uma sociedade verdadeiramente humana solidária e com sustentabilidade ambiental só será possível com a politização e participação de toda a sociedade, sobretudo das classes menos favorecidas.

      É necessário resgatar o respeito nas nossas relações políticas. A competição interna leva ao desrespeito e à quebra de confiança. Fortalecer a confiança através de relações justas, através do respeito. Uma organização cresce quando descobre que é ilusório o grande esforço de poucos, mas o pequeno esforço de muitos tem muito mais capacidade de ação e capacidade de melhorias mais sólidas.



Filipe Carvalho - @fcarvalho7

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Partidos.


        Estamos em tempo de eleições, o momento político é por demais espaçoso e está sempre presente nos corações e mentes. Vou dissertar sobre este assunto sem, contudo, expressar preferências. Vou limitar-me a discorrer sobre a importância dos partidos políticos na democracia.

    Nas conversas, noticiários, entrevistas, nas propagandas eleitorais e até nos pronunciamentos das autoridades que presidem os pleitos, não se dá a devida ênfase ao papel dos partidos. Democracia sem partidos não existe. Os partidos são feitos de pessoas, é claro, contudo, elas se agrupam em torno de um ideário, de uma plataforma, de interesses comuns que se substancializam em partidos.


          As leis e a operacionalização das eleições levam em consideração, em primeiro lugar, a arquitetura partidária. Isso é mais notado nas eleições proporcionais para o poder legislativo. Desde a inscrição dos candidatos à composição dessas casas, o que preside a tudo é a estrutura partidária. A divisão dos mandatos é feita entre as legendas partidárias ou coligações de partidos. O nome do candidato vem em segundo plano compondo a legenda. Aqueles mais bem votados dentro da legenda é que são proclamados vereadores ou deputados. Como é sabido, existem candidatos que não são eleitos apesar de serem mais votados do que outros que são eleitos. Isso porquê, embora com expressiva votação individual, sua legenda não alcançou o número de votos suficiente para elegê-lo. Existem, por outro lado, os candidatos puxadores de legendas que ao obterem grande número de votos permitem eleger colegas de sua legenda sem votação expressiva.

            Um voto extremamente válido, o qual já pratiquei várias vezes, e não é sequer explicado pelos Tribunais Eleitorais, é o voto na legenda. Em vez de votar no candidato vota-se no partido; isso conta da mesma maneira, deixando a indicação de quem vai ser eleito para a classificação dos candidatos dentro do partido. No atual sistema de eleição, os dois primeiros algarismos que compõem os números de registro de cada candidato representam o partido a que ele está filiado. Se a opção for pelo voto na legenda teclam-se esses dois dígitos na urna eletrônica e a seguir a tecla “confirma”. Isso só vale para as eleições proporcionais de deputados.


             Por mais frágil que seja a nossa organização partidária ela já apresenta características nítidas quanto ao ideário, ética e eficiência administrativa de cada partido. A escolha do eleitor deveria, a meu ver, começar pelo partido e depois chegar ao candidato, se fosse necessário, numa eleição proporcional.


        Temos partidos para todos os gostos. Da esquerda à direita. De empresários e de caciques regionais. Do trabalhismo ao evangelismo. Do capitalismo ao socialismo, passando pela social-democracia e o neoliberalismo. Embora existam algumas zonas cinzas, as colorações partidárias são razoavelmente definidas.


             A norma vigente de verticalização nas coligações, do plano federal ao estadual, foi uma decisão tomada para o fortalecimento dos partidos que, constitucionalmente, devem ter caráter nacional, não tendo considerado os interesses pessoais dos candidatos. Essa decisão permeia todos os aspectos da eleição: o tempo a ser usado na mídia, as contribuições de campanha, o registro das candidaturas e a contagem dos votos das legendas. De fato, nesta eleição existem as coligações brancas, não formais, contudo, na hora do vamos ver, vale o que está escrito.

         Mesmo as eleições majoritárias (para Presidente, Governadores, Prefeitos e Senadores) que não se submetem às legendas (o que poderia acontecer como veremos a seguir), não podem ficar alijadas das colorações partidárias. Coligações implicam em pressões e cobranças em favor dos seus interesses. Assim, com todo o passado de esquerda, o FHC teve que fazer um governo neoliberal, para vencer no esquema que lhe deu suporte e permitiu sua governabilidade. Governa-se com os partidos não com nomes, embora esses são os que saem na mídia.

         O carisma, a postura e a firmeza de ação dos políticos são importantes. Mais importante, no entanto, é sua filiação partidária, o que denota a aceitação de um certo ideário político. Se isso ainda não é totalmente verdadeiro, temos que seguir nesta direção. Democracia é um processo. Vota-se equivocadamente no boa-pinta, no parente, no que fotografa bem, no mais bem vestido, penteado e barbeado, no que pediu o voto, no vizinho, naquele que a gente espera um favor, no falastrão e noutros tipos de plumagem da nossa variada fauna política. Votar no partido, depois de analisá-los, seria correr menores riscos.


     A melhor compreensão dos detalhes da política eleitoreira colaboraria muito para o fortalecimento da democracia no Brasil. Mas isso parece não ser a preocupação maior dos candidatos, da mídia e dos partidos. A Justiça Eleitoral peca por não prestar os devidos esclarecimentos aos eleitores. Isso deve estar servindo a interesses outros que não os do processo democrático. A maioria dos candidatos esconde ou minimiza em suas propagandas o nome dos partidos. Dessa forma, essas agremiações funcionam como meras catapultas de interesses pessoais menores.

      Em política, num regime democrático – não é o caso dos regimes absolutistas e autoritários – o individualismo e o voluntarismo pessoal não devem prevalecer. Em primeiro plano está o ideário partidário, sua plataforma política e a correlação de forças das partes envolvidas. Mesmo porque, caititu fora da manada é comida de onça.




terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Democracia


Nossa democracia não é uma democracia completa. Bom, isso não é de se espantar, mas também não pode ser ignorado. Três coisas que discordo na “democracia” brasileira:
Primeiro: Proíba-se a pesquisa de intenção de voto. Se o povo não tivesse essa influência toda das pesquisas e tivesse de escolher a esmo, unicamente por si mesmo, tenho certeza, os resultados das eleições apresentariam votos mais distribuídos. O que ocorre hoje não é uma escolha do povo, propriamente. O que se vê é se os candidatos conseguem ou não manter a preferência apontada pela primeira pesquisa de intenção de votos. É ou não é? A maioria das campanhas já tem seus resultados apontados no início delas.
Segundo: Por quê um candidato tem mais direito de tempo na TV do que outro? Em que um maior tempo de exibição de um determinado candidato em detrimento do tempo de outro favorece a bendita da “democracia”? Por coligações partidárias? Mas o que uma coligação partidária tem a ver com a possibilidade igualitária e democrática de alguém se eleger? Essa divisão de tempo desigual da propaganda eleitoral gratuíta, de acordo com o apoio partidário dos candidatos, só fortalece os mais fortes. (Ora e eu aqui divagando, não é justamente por favorecer os mais fortes que a divisão desigual foi instituída? Que ingenuidade a minha…)
Terceiro: Para quê serve deputado? O povo sequer se importa em saber. Nunca vi no Brasil, nesse tempo todo se tive qualquer traço de aula que visasse ensinar as funções públicas de candidatos eleitos, ou de nossas obrigações para com eles (acompanhamento, cobrança, etc). Não sei como é a grade curricular hoje, mas duvido que tenha melhorado. Não precisamos só de mais escolas, precisamos de um conteúdo curricular mais pragmático, também! Que democracia é essa onde o povo não tem um mínimo de conhecimento sobre as funções que deverá desempenhar o candidato que está elegendo?

Filipe Carvalho.